Por que o corretor de seguros não faz parte do Open Insurance?
Nelson Fontana, corretor de seguros e advogado

A intermediação de serviços até o século XX estava baseada em relacionamento pessoal. No filme de 1996 estrelado por Tom Cruise no papel de Jerry Maguire, um agente de astros do futebol, Maguire relembra uma lição de seu antigo patrão e mestre que repetia sempre: A chave do nosso negócio é o relacionamento pessoal. “The Key of our business is personal relationship”.

A atividade dos corretores de seguros, desde sua origem, está baseada em relacionamento pessoal. Os corretores de seguros originaram-se por volta de 1700 na Inglaterra, como Brokers do Lloyd’s de Londres. Eram intermediários entre os Seguradores e os Armadores e embarcadores de cargas. O Broker era o profissional de confiança de ambas as partes e, tentem imaginar, fazia esta intermediação sem ter sequer um telefone. Tudo era feito pessoalmente, com papeletas (slips) assinadas e carimbadas. 

O mundo do século XXI, no entanto, é radicalmente diferente. As pessoas não conversam mais, tudo é tratado em sites, por aplicativos ou centrais de atendimento. A mudança vai mais longe. Os jovens hoje não consultam mais seus pais, não usam despachantes, não viajam com a assessoria de agentes de viagem. Tudo é resolvido na frente de uma tela com o mínimo possível de contato humano. 

Esta despersonalização está afetando todas os segmentos da economia que usam intermediários. 

Esta mudança já afetou profundamente diversos segmentos da sociedade e estamos agora vendo esta onda chegar com grande impacto no Mercado de Seguros com as novas seguradoras que estão sendo cultivadas no Sandbox regulatório, as Associações de Proteção veicular, o Open Insurance e com o avanço da tecnologia em todas seguradoras, mesmo as tradicionais parceiras dos corretores, que estão iniciando processos de venda direta aos consumidores, com uso de tecnologia. Todas já trabalham com diversos canais, corretores, lojas, bancos e agora estão investindo no canal de venda direta.

Hora de manter o otimismo, manter em mente que profissionais que saibam orientar um segurado a fazer seus seguros, ajudá-lo na busca de soluções para seus riscos e necessidade de proteção sempre vão ter espaço e campo de trabalho.Nesta hora é muito importante que a classe esteja unida em torno de nossas lideranças, certificando-se que todas estas novidades estejam seguindo normas. Precisamos como nunca de união em torno do SINCOR e FENACOR para que nossos líderes negociem e fiscalizem a regulamentação de tudo que está chegando, exigindo respeito à tradicional classe dos corretores de seguros que tantos serviços vem prestando à sociedade. Não devemos lutar contra a concorrência nem contra a tecnologia. Mas temos que jogar com regras claras e nos assegurar que todos possam competir em igualdade de condições.   

Escrito por Nelson Fontana, corretor de seguros e advogado, em 08/07/2021.

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