Dyogo Oliveira, presidente da CNseg

A modalidade arrecadou R$ 203,3 milhões em 2023, com crescimento contínuo de demanda desde 2019 pelas empresas brasileiras

Quase seis em cada dez empresas brasileiras sofreram ataques ou incidentes cibernéticos que impediram o acesso aos seus dados em 2023, de acordo com o Índice Global de Proteção de Dados (GDPI). Em resposta a esses desafios, as empresas têm buscado proteção no mercado de seguros. Um levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revelou que a procura pelo seguro de Riscos Cibernéticos cresceu 880% nos últimos cinco anos, passando dos R$ 20,7 milhões arrecadados em 2019 para R$ 203,3 milhões em 2023. Em comparação, exclusivamente com o ano de 2022, o avanço foi de 17,1%.

Abril se destacou como o mês com a maior arrecadação do produto em 2023, atingindo um volume de R$ 24,6 milhões, seguido por agosto com R$ 20,7 milhões e dezembro com R$ 20,4 milhões. Quando se trata da distribuição por estados, São Paulo lidera, representando 69% de toda a demanda pelo produto no período, com R$ 141,0 milhões. Em termos de avanços percentuais, o Maranhão foi o destaque com aumento de 5822,8%, passando de R$ 7,7 mil em 2022 para R$ 454,2 mil no ano passado.

O crescimento identificado no ramo também foi notado no acumulado do setor em 2023. O mercado segurador, desconsiderando dados da Saúde Suplementar, apresentou aumento na procura por produtos que protegem o patrimônio e o futuro, além de estimular a disciplina financeira dos seus clientes. No ano, a evolução foi de 9,0% em relação a 2022, com mais de R$ 387,9 bilhões arrecadados. O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destaca que o resultado vem ligeiramente acima das projeções divulgadas pela CNseg em dezembro do ano passado. “Na ocasião, estimamos que a demanda do setor cresceria, em 2023, 8,2% sobre o observado em 2022.”

Destinado às empresas, o seguro de Riscos Cibernéticos oferece proteção contra danos diretos ocasionados por ataques que geram perdas materiais, imateriais e de conteúdo informacional, como vazamento de dados. Além disso, pode ser utilizado para cobrir reclamações decorrentes de uso indevido de informações e violação da privacidade e dos direitos de propriedade intelectual.

Segundo a Chainalysis, grupos hackers captaram US$ 1,1 bilhão com ataques ransomware em 2023 – valor recorde para esse tipo de crime e é quase o dobro do prejuízo causado em 2022 (US$ 567 milhões). No Brasil, o estudo do GDPI mostrou que a constante jornada de proteção de dados continua sendo um desafio enorme dentro das organizações, sendo quase unânime a percepção dos executivos sobre o aumento da superfície de risco por conta da rápida adoção da Inteligência Artificial Generativa dentro das empresas, que demandará novas medidas para proteger os dados. 85% dos executivos brasileiros ouvidos acreditam que os dados utilizados para a IA generativa serão altamente distribuídos, aumentando, portanto, a preocupação sobre se estão adequadamente protegidos.

O presidente da CNseg destaca que o dado demonstra o potencial de ampliação da atuação do seguro contra Riscos Cibernéticos no país. “Em 2023, o setor pagou R$ 18,2 milhões em indenizações e, desde o início da contabilização de resultados desse produto, em 2019, foram retornados mais de R$ 170 milhões às empresas seguradas”, contou o executivo.  O total se une aosR$ 225,2 bilhões pagos em indenizações pelas demais modalidades em benefícios, resgates e sorteiosno período, volume 2,5% superior ao ano de 2022. 

“Esse resultado foi fortemente influenciado pelo seguro Rural, que, em 2022, apresentou volumosos pagamentos de indenizações em consequência de eventos climáticos severos ocorridos no começo daquele ano”, explicou Oliveira. O executivo complementou informando que, ao retificar tal efeito do resultado global, a taxa de crescimento dos pagamentos seria mais que o dobro da atual, com evolução de 5,5% sobre o ano anterior.

Outras formas de proteção
Além da cobertura do Seguro de Risco Cibernético, as empresas do mercado de seguros, associadas à CNseg, também podem acessar uma solução desenvolvida pela entidade para monitorar e validar os incidentes e compartilhar as informações com as empresas usuárias do serviço. 

Em 2023, o sistema de Compartilhamento de Incidentes Cibernéticos (CIC), que funciona por meio da curadoria da CNseg, contabilizou o total de 245 incidentes, ou seja, em média, 20 sinalizações por mês no período analisado. Desse total, 42% estavam relacionados a vírus e fragilidades de sistema, e 58% foram incidentes que as seguradoras associadas visualizaram perante o cenário mundial e puderam antecipar possíveis riscos para os seus negócios.

Comportamento de outros produtos no período
Nos 12 meses de 2023, a demanda pelos seguros de Danos e Responsabilidades avançou 10,4% em relação a 2022, com mais de R$ 125 bilhões arrecadados. Em Coberturas de Pessoas, segmento responsável por mais da metade do resultado do setor sem Saúde Suplementar, a procura por produtos que protegem a vida e auxiliam no planejamento futuro do cliente aumentou 8,7% sobre o ano anterior, com quase R$ 233 bilhões acumulados. Os títulos de Capitalização, por sua vez, apresentaram faturamento de aproximadamente R$ 30 bilhões, 5,6% a mais que em 2022.

Dados da Saúde Suplementar
Últimos dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que no acumulado até o terceiro trimestre de 2023, as contraprestações do segmento arrecadaram R$ 206,5 bilhões, valor 13,8% superior ao de 2022. Em relação aos pagamentos aos beneficiários, foram reembolsados R$ 178,6 bilhões no mesmo período, crescimento de 12,5% sobre o mesmo período do ano anterior. Os planos Médico-Hospitalares pagaram R$ 176,4 bilhões e os planos exclusivamente Odontológicos, R$ 2,2 bilhões, uma alta de 11,5%, na mesma comparação.

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