Artigo A evolução do Risco Cibernético
Paulo Leão de Moura Jr, charmain na THB Group

Como todo Ano Novo, este inicia-se com as esperanças de todos por um mundo melhor.

É bom ter esperanças e, certamente, algumas tornar-se-ão reais, como a vacinação contra a COVID-19 e a consequente redução de casos de contaminação nesta horrível pandemia que tantas mortes vem causando e, aos sobreviventes, as sequelas físicas e psicológicas.

Eu tenho esperanças de dias melhores para o Brasil, porém, em um contexto racional e realista, temo que o mundo terá dificuldades imensas para se recuperar a curto prazo, o que afetará certamente o nosso país. Surgida no final do ano de 2019, a pandemia entrou no Brasil justamente no momento que já sofríamos graves problemas econômicos, políticos e sociais. Todos problemas crônicos de solução a longuíssimo prazo como a distribuição de renda absurdamente desproporcional, a diferença social, a qualidade e eficácia da educação, as dificuldades na saúde, a deterioração do comportamento social, cívico e ético em todos os segmentos. 

Os problemas políticos e econômicos sem soluções como arcar compulsoriamente com um governo paquidérmico, com excesso de funcionários, consultores, conselheiros, políticos profissionais preocupados em manter suas regalias e não com a representatividade do voto, um governo e Estado caros, excessivos, burocráticos ao extremo e alheios às necessidades da população. Dentro desse contexto, a iniciativa privada ou adere ao comportamento vulgar para usufruir das trocas de benesses, ou empreende face toda a parafernália de dificuldades que qualquer empresa enfrenta para se desenvolver nesse país.

Na nossa atividade, a consultoria, a assessoria, a administração de riscos e seguros apresentam-se situações diversas de esperança por excelência. De um lado, a ação liberal da SUSEP atual abrindo e introduzindo o nosso Sistema ao mercado internacional em quase a sua totalidade. Por outro lado, da parte dos ultraconservadores existe a ameaça de introdução da legislação que manteria o nosso Sistema nas condições do século XX, absurdamente controlada e sem liberdade de atuação.

Vamos sofrer as dificuldades inerentes aos desempenhos bolorentos, de retrocessos, de erros, de enganos. Os eventuais acertos virão da dedicação em atuarmos corretamente, proporcionando aos nossos clientes a qualidade e extensa gama de serviços que temos a oferecer. Nesse caso, seremos vencedores em nossa atividade. Temos, ainda, a importante tarefa de demonstrar ao mercado – principalmente, os segurados – a importância e necessidade de nossos serviços com a óbvia afirmação que riscos devem ser tratados da melhor forma possível. 

Como acredito, o risco deve ser assumido criteriosamente e com absoluto controle por autosseguro até a eventual transferência ao seguro ou outra forma mais adequada, desde que definida claramente pelo gerenciamento de risco ou pela decisão soberana das empresas seguradas. Neste sentido, tenho absoluta certeza do sucesso de nossos profissionais na prestação desses serviços a nossos clientes e que o ano de 2021 será difícil certamente, porém, já navegamos muito bem em mar agitado e sempre chegamos a um porto seguro, a um reconhecimento de excelência sobre nossos serviços.

Nestes oitenta e seis anos de vida, tive o privilégio de assistir um considerável número de eventos. Alguns considerados crises, outros dificilmente serão considerados significativos pela História. Mas, como disse, tive o privilégio de acompanhar e assistir o comunismo da União Soviética, a evolução do socialismo italiano e a criação do fascismo, a chegada do seu irmão gêmeo e mais cruel, o nazismo. Assisti o início e término de várias guerras, a Segunda Guerra Mundial – evento dantesco que ceifou a vida de mais de cinquenta milhões de pessoas -, assisti a hegemonia americana e o antagonismo entre EUA e União Soviética com o acúmulo absurdo de arsenais atômicos chamado de Guerra Fria. Assisti ao fortalecimento e expansão da social-democracia e do capitalismo. Acompanhei as Guerras da Coreia e a do Vietnam onde, pela segunda vez, os chamados “aliados” ou os Estados Unidos não venceram uma guerra – a última derrota americana teria sido em 1812 contra a Inglaterra.

Desde então, acompanhei diversa guerras no Oriente Médio que persistem até hoje.  Na Iugoslávia com o retorno das Repúblicas dos Balcãs. Assisti à recuperação excepcional da Europa, com o apoio interessado dos Estados Unidos. A extraordinária queda do muro de Berlin, a abertura da Europa Oriental, o declínio e desaparecimento da União Soviética e o ressurgimento do páthosda Grande Rússia. Assisto agora o surgimento de outra grande potência, a China, e o reinício de mais uma Guerra Fria.

Acompanhei e participei dos altos e baixos constantes, os avanços e os retrocessos do meu querido Brasil. A triste vergonha de duas ditaduras: a de Getúlio Vargas e a de 1964, bastante polêmicas até hoje. Assisti, com esperança, a volta da nossa Democracia que, hoje, luta por sua sobrevivência. E, finalmente, assisti ao mais triste episódio da história americana: a tentativa de golpe do Sr. Trump! E assisto a influência que esse senhor tem sobre uma pequena, porém, importante parcela de nossos políticos e o considerável contingente de seguidores americanos, bélicos, agressivos e racistas que mantém nos EUA. Certamente, assistimos a volta do fascismo nas mentes da população em duas importantes democracias do mundo ocidental.

Faltam quatorze anos para atingir um século de vida. Peço a Deus que mantenha, até lá, a minha saúde física. Se não for possível, seria triste perder o resto da minha lucidez, porém, vivi bem meus oitenta e seis anos. Agora, assisto a pandemia do COVID-19, algo próximo a uma guerra inglória, difícil, destruidora, penosa e angustiante entre Ciência e o vírus, inimigo sutil, silencioso e invisível que tem como aliado a covardia, a ignorância, o egoísmo, a indiferença.

Assistindo a todas as essas tragédias e lutas, tive o privilégio de assistir ao nascimento de meus filhos e filhas; de amar muito e ser amado; de assistir a evolução da minha família, netos, netas e bisneta; da evolução e bom desenvolvimento dos empreendimentos em que tomei parte; de participar no desenvolvimento da minha profissão; enfim, de ter o privilégio de muitas felicidades.

Desejo um bom ano a todos – amigos, colaboradores, parceiros, seguradoras e resseguradoras e, sobretudo, aos nossos maravilhosos segurados-clientes.

Escrito por Paulo Leão de Moura Jr, charmain na THB Group, 19/01/2021.

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