Avanço da inteligência artificial e da modelagem preditiva amplia demanda por informações mais precisas para precificação e gestão de riscos

O crescimento da digitalização e o aumento da complexidade dos riscos vêm transformando a forma como seguradoras e resseguradoras avaliam exposições e calculam preços. Em um ambiente marcado por eventos climáticos, riscos cibernéticos e mudanças econômicas aceleradas, a qualidade dos dados passou a ser considerada um dos principais ativos do setor.

Mais do que ampliar o volume de informações disponíveis, o desafio atual está na capacidade de transformar dados em inteligência capaz de melhorar a leitura dos riscos e reduzir incertezas.

Estudo de uma corretora global* aponta que seus clientes registraram melhora de 5% na adoção de controles críticos de segurança cibernética, resultado associado ao uso mais sofisticado de informações para análise e gestão de riscos. O movimento reflete uma transformação mais ampla, que também alcança o mercado de seguros e resseguros.

“A indústria de resseguro entrou numa fase em que a qualidade dos dados é tão importante quanto o capital. Quem consegue ler melhor o comportamento do risco consegue precificar melhor, evitar concentração excessiva e responder com mais velocidade a mudanças no ambiente econômico e tecnológico”, afirma a presidente da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), Rafaela Barreda.

No Brasil, a própria Superintendência de Seguros Privados (Susep) mantém um sistema estatístico alimentado por informações enviadas periodicamente por seguradoras e resseguradoras, atualizado semanalmente. A iniciativa tem contribuído para ampliar a transparência e a disponibilidade de informações utilizadas pelo mercado.

O avanço das ferramentas analíticas ocorre em paralelo à expansão do setor segurador. Dados da CNseg mostram que o mercado cresceu 6% no primeiro trimestre de 2025 e registrou R$ 131,7 bilhões em indenizações pagas no período.

Para especialistas, o aumento da escala torna ainda mais relevante a utilização de modelos capazes de identificar tendências, antecipar comportamentos e reduzir distorções na precificação.

“IA, analytics e modelagem preditiva são ferramentas decisivas, mas não substituem governança. O ponto central não é ter mais dados, e sim ter dados melhores, comparáveis e auditáveis. Sem isso, a inteligência artificial pode amplificar ruídos em vez de reduzir incertezas”, afirma Barreda. A executiva acrescenta que “não adianta só ter acesso, mas também conhecer as formas de ataques, as empresas precisam investir em treinamento, já que práticas de phishing tem como alvo de acesso, a curiosidade de abrir arquivos, clicar em links e fornecer informações desnecessárias”.

A discussão ganha relevância em um momento em que o mercado global busca aprimorar sua capacidade de responder a riscos cada vez mais interconectados. Para o setor de resseguros, a combinação entre tecnologia, qualidade da informação e governança de dados passou a ser vista como elemento essencial para sustentar crescimento e estabilidade em um ambiente de maior volatilidade.

aon.com/cyber-risk-report/cyber-risk-insurance-market-remains-buyer-friendly/

A Fenaber (Federação Nacional das Empresas de Resseguros) é a entidade representativa do mercado de resseguros no Brasil, reunindo resseguradores locais, admitidos e eventuais registrados na SUSEP. Sua missão é defender os interesses políticos e institucionais de suas associadas, promover o desenvolvimento do mercado de resseguros brasileiro e contribuir para o fortalecimento do sistema de seguros como um todo. A entidade também fomenta a autorregulação do setor, prática consolidada em mercados economicamente desenvolvidos, e incentiva projetos voltados à formação de profissionais, à pesquisa e à educação em resseguro, reconhecendo o aprimoramento do seguro direto como base essencial para o desenvolvimento sustentável das operações de resseguro no Brasil. Mais informações: https://fenaber.org.br.

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