Com prazo se aproximando, organizações precisam estruturar ações para atender à nova exigência, em meio ao avanço dos afastamentos por saúde mental
Com a entrada em vigor definida para maio, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, vai exigir das empresas uma mudança concreta na forma como lidam com a saúde mental no ambiente de trabalho. A partir da nova regra, passa a ser obrigatória a identificação, avaliação e gestão de riscos psicossociais , como estresse crônico, assédio e sobrecarga, no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
A medida do Governo Federal amplia o escopo de responsabilidade das organizações, que terão de mapear fatores como metas agressivas, jornadas extensas, ambientes organizacionais disfuncionais e excesso de carga de trabalho. Na avaliação da Korsa Riscos & Seguros, corretora com mais de 30 anos no mercado, o prazo já impõe um sinal de alerta para as empresas que ainda não estruturaram essa agenda internamente.
“A nova NR-1 marca um avanço ao transformar a saúde mental em um tema estruturado dentro da gestão de riscos. Não é mais uma iniciativa isolada de bem-estar, mas uma agenda estratégica, com impacto direto em compliance e sustentabilidade do negócio”, afirma Iolanda Marques, Head de Benefícios Corporativos da Korsa Riscos & Seguros.
Casos em evolução
O cenário atual reforça a urgência da adequação. Dados da Previdência Social mostram que, em 2025, o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o equivalente a cerca de 1,5 mil trabalhadores por dia e um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior.
Segundo a especialista, os números ajudam a explicar por que o tema passou a ocupar espaço central na agenda regulatória. “Quando mais de meio milhão de pessoas se afastam por questões de saúde mental em um único ano, fica claro que estamos diante de um risco sistêmico. A nova NR-1 vem justamente para estruturar essa gestão dentro das empresas”, diz.
Além do impacto humano, a exigência traz implicações diretas para a operação das companhias. Será necessário avaliar a intensidade e o impacto dos riscos com base em indicadores como absenteísmo, rotatividade e afastamentos, além da implementação de planos de ação.
Entre as medidas previstas estão programas de saúde mental, capacitação de lideranças e criação de canais de escuta ativa, ações que deixam de ser diferenciais e passam a integrar a rotina de compliance das organizações.
O avanço regulatório acompanha uma tendência global de maior pressão por práticas ESG e pela incorporação de métricas relacionadas ao capital humano. No Brasil, esse movimento ganha ainda mais força com o aumento da judicialização envolvendo assédio moral e adoecimento psicológico.
Diante da proximidade do prazo, a recomendação é que as empresas iniciem desde já a revisão de suas práticas internas. “A adaptação à nova NR-1 exige diagnóstico organizacional, atualização do PGR e preparo das lideranças. Quem se antecipa não só reduz riscos legais, como fortalece a cultura interna e melhora seus indicadores de desempenho”, afirma Iolanda.




































