O Sincor-RJ, comandado há 45 anos pelo mesmo grupo liderado por Henrique Brandão (falecido em 2024), volta a protagonizar a cena política do setor de seguros carioca. A atual diretoria, comandada por Ricardo Garrido até novembro de 2025, e atualmente por Nilo Rocha, diretores que sucederam Henrique Brandão, decidiu convocar eleição com um objetivo muito claro: levar o Sincor-RJ de volta a Fenacor, de onde foi desligado em razão de picuinhas políticas existentes entre os dirigentes das duas entidades. A eleição está marcada para acontecer hoje, 27 de janeiro deste 2026, mas um imprevisto pode tirar do páreo a chapa 2, de oposição, liderada por Jayme Torres Jr (foto), em razão da cobrança irregular de contribuição assistencial. Entenda o imbróglio a seguir.

Jayme Torres, candidato da Chapa 2

Cobrança ilegal da Contribuição

O sindicato, supostamente, cobrou uma contribuição assistencial sem seguir os requisitos legais – deliberação em assembleia com valor determinado, destinação da verba arrecadada, ampla divulgação e direito de oposição. Essa cobrança foi feita de forma obscura e irregular, levando à impugnação de 11 nomes da chapa de oposição por falta de pagamento, mesmo sendo essa cobrança questionável. A decisão foi proferida em reunião da Junta Eleitoral no último 13 de janeiro, após data limite para impugnação das chapas. Ou seja, a eleição pode acontecer com chapa única, o que garante mais 4 anos de permanência da atual diretoria no comando do Sincor-RJ.

Jayme Torres Jr contou ao JNS como tudo aconteceu nos bastidores: “O Sincor-RJ, em 2023, fez uma assembleia para autorizar a venda da sede da Rua do Rosário, e simplesmente incluiu a contribuição assistencial na pauta. O Sincor não cobrou, não gerou boleto para ninguém e não houve manifestação contrária nenhuma em 2023. Em 2024, eles fizeram uma assembleia cuja pauta era a volta do Sindicato para os quadros da Fenacor e incluíram novamente a criação da contribuição assistencial, sem informar valor, sem informar a que se destinaria a verba, e também sem divulgação, porque as assembleias são secretas. Agora, na convenção coletiva de 2025, o Sincor-RJ informou que incluiu outra vez a contribuição na pauta, mas isso não é verdade. Eu mesmo solicitei a ata da assembleia em cartório, e nada consta a esse respeito no documento oficial”, revela indignado Jayme Torres.

Dessa forma, dos 24 inscritos da Chapa 2, 11 foram impugnados porque não apresentaram o pagamento da contribuição assistencial (ou carta de oposição, que sequer receberam). Jayme reclama que muitos nem receberam a cobrança. 

Outras práticas questionáveis

A administração do Sincor RJ também apresenta outras irregularidades além de assembleias secretas e promessas de campanha não cumpridas. Um membro da diretoria está respondendo processo por violência doméstica e a advogada do Sindicato é quem defende o agressor, mesmo a vítima sendo uma corretora de seguros. 

Tem mais, denuncia Jayme:

“O Sincor-RJ divulga a realização de sorteios de carros (foto) para atrair os corretores de seguros ao tradicional jantar de fim de ano da entidade. Acontece que estes sorteios não acontecem porque os carros não existem. No regulamento deveria constar a registro do sorteio no SCPC, órgão federal ligado ao Ministério da Fazenda, com nota fiscal dos bens ou serviços a serem sorteados, como forma de garantir aos participantes que os prêmios serão de fato sorteados e entregues. Sem isso, o regulamento não tem qualquer valor legal. Os “sorteios” foram divulgados duas vezes, em 2020 e em 2024.”

Jayme conta ainda que a sede do Sincor-RJ na Rua do Rosário está “caindo aos pedaços”, o que deprecia seu valor e compromete o patrimônio que foi conquistado a “duras penas” pela classe dos corretores de seguros. “Está na hora de mudar! Tem muita coisa errada. Na chapa 1, além de dirigente respondendo pela Lei Maria da Penha, tem outro membro da chapa que só tem registro na Susep, nunca vendeu um seguro. A diretoria atual tem verba aprovada de R$ 550.000,00 (mais de meio milhão de reais) para gastos com “despesas gerais” dos integrantes da diretoria plena. Tudo isso sem que os associados participem das assembleias, pois são todas secretas!”, desabafa o líder da Chapa 2.

E conclui: “É lamentável ter que mais uma vez judicializar a eleição, o que em tese só beneficia a eles. Vamos hoje votar NULO pelos corretores de seguros do Estado do Rio de Janeiro!”

NR: O JNS abre espaço para a CHAPA 1 caso queira se manifestar sobre a matéria em tela.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui