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Resultado da saúde suplementar recua no 1º semestre

Em transmissão ao vivo, FenaSaúde apresentou análise dos dados da ANS e indicadores setoriais, apontando que a sustentabilidade do sistema segue como o principal desafio

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) realizou em 01/10, mais uma edição de sua transmissão online dedicada à análise de dados e indicadores do setor. Durante a live, a entidade discutiu os dados econômico-financeiros do primeiro semestre de 2026 recém-divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que confirmam a recuperação do segmento aos níveis pré-pandemia, mas já sinalizam estabilização dessa tendência e retração em indicadores cruciais. A transmissão foi conduzida por Bruno Sobral, Diretor-Executivo da FenaSaúde; Rafael Scherre, Diretor de Regulação Econômica da entidade; e João Marchi, Coordenador de Informação em Saúde Suplementar.
 

O cenário permanece demandando atenção, especialmente em relação à sustentabilidade das operadoras. A margem operacional do primeiro semestre de 2026 ficou em 3,2%, ante 3,9% no mesmo período de 2025. Na comparação do resultado líquido, a queda foi de 12,2% no período, o que corresponde a uma margem líquida setorial de 6,2%, contra 7,7% registrada no ano anterior.
 

“Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram uma queda relevante de 12,2% no resultado líquido, puxada pela retração dos resultados operacionais das operadoras. Essa redução indica que a recuperação do setor ocorrida em 2025 começa a perder força. A margem operacional caiu de 3,9% para 3,2% no período, enquanto a margem líquida recuou de 7,7% no primeiro semestre de 2025 para 6,2% em 2026, sinalizando tendência de queda. Diante disso, as operadoras continuam empenhadas no esforço constante para manter custos sob controle, combater desperdícios e assegurar a sustentabilidade do sistema”, afirma Bruno Sobral, Diretor-Executivo da FenaSaúde.
 

O executivo destaca ainda o histórico de rentabilidade do setor, respaldado por estudo recente da LCA Consultoria. Entre 2010 e 2025, a margem líquida média do setor foi de 3,5%. No entanto, ao desconsiderar o resultado financeiro, a margem no mesmo período foi de apenas 0,6%, evidenciando a forte pressão sob a qual as operadoras operam no longo prazo.
 

“Isso mostra como as operadoras trabalham no limite da precificação necessária para cobrir as despesas. Com a sinistralidade do setor frequentemente superior a 80% e margens tão apertadas, é fundamental construir um ambiente de incorporação tecnológica cada vez mais baseado em evidências, além de atuar diariamente no combate rigoroso às fraudes e aos desperdícios”, reforça Sobral.
 

Despesas crescem acima das receitas
 

Os dados da ANS corroboram o alerta da entidade: houve uma retração de 10,4% no resultado operacional em relação ao primeiro semestre de 2025, enquanto o resultado financeiro registrou um salto de 10,3%. Como proporção do resultado antes dos impostos, o resultado operacional respondeu por 39%, enquanto o financeiro representou 52%. Já o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) recuou para 14%, ante os 16% registrados no fechamento de 2025. Segundo o balanço da ANS, a receita das operadoras com mensalidades somou R$ 175,8 bilhões de janeiro a junho, montante 9,6% superior ao do mesmo período de 2025. Por outro lado, as despesas assistenciais subiram 9,9%, chegando a R$ 143,0 bilhões e superando a evolução das receitas. Com isso, a sinistralidade nos planos médico-hospitalares atingiu 81,9% — um avanço de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior (81,1%).
 

Estabilidade na cobertura e avanços com fatores moderadores
 

A base de clientes registrou estabilidade no período: o setor encerrou o semestre com 53,2 milhões de beneficiários em planos de assistência médica (+0,5% ante o fim de 2025) e 37 milhões em planos exclusivamente odontológicos (+3,6%). A taxa de cobertura dos planos médico-hospitalares permanece estagnada em patamar próximo a 25% da população brasileira há mais de uma década.
 

Para moderar custos e aumentar o acesso, ferramentas como coparticipação e franquia vêm ganhando espaço no mercado: em 2025, 69% dos beneficiários de planos coletivos já estavam em contratos com fatores moderadores. Com base nos dados mais recentes da ANS, esses planos foram, em média, 35% mais baratos que os planos sem fatores moderadores.
 

Judicialização
 

Durante a transmissão ao vivo, a equipe técnica da FenaSaúde também analisou os dados mais recentes sobre a judicialização no setor:

Propostas para o futuro
 

Foram divulgadas ainda as propostas da FenaSaúde para os presidenciáveis, essenciais para a agenda da saúde suplementar:

Link da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=J2N0jOb9HUY

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